quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O Progresso!... progresso?

"Deve-se ir além, deve-se ir além." Este impulso de ir além é algo muito antigo. Heráclito, o obscuro, que depositou seus pensamentos em seus escritos e seus escritos no Templo de Diana, Heráclito, o obscuro, disse "Não se pode passar duas vezes no mesmo rio". Heráclito, o obscuro, tinha um discípulo que não parou aí, ele foi além: "Não se pode passar nem mesmo uma vez!". Pobre Heráclito, pobre Heráclito por ter tal discípulo! Ao ir além, a tese de Heráclito foi tão melhorada a ponto de se tornar uma tese Eleática que nega o movimento, e porém este discípulo desejava somente ser um discípulo de Heráclito... e ir além - não para trás, voltando a uma posição que Heráclito mesmo havia abandonado.

Soren Kierkegaard
(Traduzido livremente de "Fear and Trembling", In: "Fear and Trembling and The Book on Adler", Alfred Knopf - Everyman's Library, 1994, pg 110)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os privilégios espirituais

"Todos privilégios do espírito só são pagos com profundo sofrimento"

Soren Kierkegaard
(Traduzido livremente de "Fear and Trembling", In: "Fear and Trembling and The Book on Adler", Alfred Knopf - Everyman's Library, 1994, pg 72)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o que é grátis custa caro

"Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso."


Roberto Faith
(Em entrevista ao Estadão nesta última sexta-feira)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Justiça social brazuca

" - (...) Agora eu tenho certeza de que, quando passar esse negócio do mensalão, eles vão adotar cota para tudo. Eu tive um professor, naquele tempo em que tinha professor, que dizia: "senhores, a sábia mão do homem ainda vai destruir o universo!" É verdade, é verdade!
- Mas não vai ser agora, podemos pedir uns pasteizinhos. 
- Aí é que você se engana, já está começando agora e vai se estender a tudo. Ao futebol mesmo, por exemplo. Futebol rende muitos problemas por falta de proporcionalidade em vários aspectos e falta de oportunidades para todos. Primeiro eles vão regulamentar as escalações: tem que ter cota racial. Cada jogador declara sua raça e aí a escalação mantém o equilíbrio racial através das cotas. Poderemos ver o Wagner Love declarando que se chama Wagner porque é de família alemã de pai e mãe e o Loco Abreu alegando que é zulu. Mas aí isso não resolve a desproporção entre as torcidas, de maneira que eles vão implantar as cotas de torcida. Cada torcedor será cadastrado numa torcida, devendo apresentar seu cartão de torcedor juntamente com o ingresso. Quando uma torcida ultrapassar o número de torcedores previsto pela cota, o torcedor tem de escolher outro time, em benefício de paz social e, em última análise, em seu próprio benefício. É um assunto complexo, mas nós temos parlamentares à altura das necessidades. Uma coisa é certa: não será permitida uma desproporção gritante, como existe hoje, por exemplo, entre a torcida do Flamengo e a do Olaria, a lei garantirá a todos os times o direito de ter torcedores. E digo mais. Não tem crime de falsidade ideológica? Pois vai ter crime de falsidade clubista. O camarada que for pegado torcendo por um time, mas portando a carteira de outro, perde o registro e não pode mais frequentar estádios, precisamos de leis severas. 
 - Você está delirando outra vez, eu nunca sei quando você está falando sério. 
 - Eu não estou delirando nada. Nem falei sobre as outras cotas dos times de futebol. Uma das primeiras a entrar na pauta vai ser a cota dos originários de comunidades carentes, logo seguida das dos jovens infratores em recuperação, dos homossexuais, da terceira idade, dos nativos do Estado onde fica a sede do time e por aí vamos, inclusive na Seleção. 
 - Você não acabou o segundo chope e já está de porre. Não está vendo que esse tipo de coisa nunca vai dar certo? 
 - Eu estou. Mas eles não, é por isso que eu me apavoro. Vai ter cota de mulher, pode escrever. Pra cada cinco gatas com quem você sair, vai ter que encarar uma dragonete, é a justiça social."

João Ubaldo Ribeiro
(Em sua coluna no Estadão de 19/08/2012)

domingo, 26 de agosto de 2012

Chafurdar na blogosfera pra quê?

"Com 40.000 novos livros publicados a cada ano pelas melhores casas do ramo - um número que a maioria das editoras admitiria ser demasiado - nós realmente precisamos chafurdar em esforços embaraçosos de centenas de milhares de novelistas, historiadores e memorialistas não publicados ou auto-publicados? De acordo com John Sutherland, chefe do comitê Man Booker Prize de 2005, "levaria aproximadamente 163 vidas para se ler toda a ficção disponível, ao click do mouse, na Amazon.com". E estes são apenas os romances selecionados profissionalmente, editados e publicados. Ora, realmente precisamos surfar nessa enorme onda de trabalhos de autores amadores que nunca foram selecionados para nenhuma publicação?"

Andrew Keen
(Traduzido livremente de "The cult of the amateur - How today's internet is killing our culture", Doubleday, 2007, pg 56)

sábado, 25 de agosto de 2012

Um pequeno fato

"O amor das letras em Alípio era o único bem que estava a ponto de o tentar. Poderia com os lucros de pretor mandar transcrever códices. Porém, sempre que consultava a justiça, deliberava pelo melhor, persuadido de que a integridade de que lhe proibia esta ação era muito melhor que o poder que a permitia a ele. Pequeno fato este, mas, 'quem é fiel no pouco, também o é no muito'; e de modo nenhum são vãs aquelas palavras que saíram da boca da vossa verdade: 'se, pois, não fordes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? E se não fordes fiéis nas alheias, quem vos dará o que é vosso?' "

Agostinho de Hipona
(Em "Confissões", J. Oliveira Santos (tradutor), Vozes - edição de bolso - 2011, pg 131)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Brave New World

"O que é fantástico sobre a Internet é que qualquer um, até mesmo uma menininha solitária de 16 anos, pode publicar seus pensamentos e atrair uma multidão. O que é assustador sobre a Internet é que ela pode não estar sozinha, nem ter 16 anos..."

Howard Kurtz
(Traduzido livremente de "Loneliness, Lies, and Videotape," Washington Post, September 18, 2006.)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Um conselho aos internautas

"Eu quero dizer: Você tem que ser alguém antes de publicar a sua vida."

Jaron Lanier
(Traduzido livremente do prefácio de "You are not a gadget", Alfred Knopf, 2010)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A nova armadilha

"Ao viver mais e mais em público nas redes sociais, estamos enfraquecendo nosso lado humano, banalizando nosso eu interior, transformando nossos sentimentos e emoções em mercadorias. Quanto mais nos expomos publicamente, mais narcisistas nos tornamos. Como Foucault argumentou, a visibilidade é uma armadilha. E em nossa era de hipervisibilidade, ela é uma hiperarmadilha."

Andrew Keen
(Em entrevista ao "Link" no último domingo)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Rios de otários

"Na internet só tem otário."

Diogo Mainardi
(Em entrevista ao programa Roda Viva desta segunda-feira)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Incontinência contemporânea

"Uma vez enviado pelos dedos e pelo teclado ao computador e à blogosfera, o conteúdo que de fato deveria ter continuado na mente da pessoa como uma possibilidade inexplorada, e portanto vaga, torna-se algo objetivo, público e irreversivelmente feio e doloroso. Nova e preocupante é, acima de tudo, a presença objetiva e a irreversibilidade de algo que teria permanecido um evento individual, transitório e, mesmo assim muito desagradável, no mundo anterior à eletrônica. Já a presença objetiva e a irreversibilidade do Twitter produzirão um efeito surpreendente de incontinência. Imaginar que, num futuro indefinido, os usuários do Twitter poderão (e até certo ponto serão encorajados a) reagir a ofensas e provocações que nunca deveriam ter sido pronunciadas é puro pesadelo."


Hans Ulrich Gumbrecht
(Em artigo intitulado de "Boquirrotismo Irreversível", traduzido por Ana Capovilla no Estadão)

domingo, 19 de agosto de 2012

O Efeito Paralisador

"O homem não vive somente a sua vida individual; consciente ou inconscientemente participa também da vida da sua época e dos seus contemporâneos. Até mesmo uma pessoa inclinada a julgar absolutas e naturais as bases gerais e ultrapessoais da sua existência, até uma pessoa assim pode facilmente sentir o seu bem-estar moral um tanto diminuído pelos defeitos inerentes a essas bases. O indivíduo pode visar a numerosos objetivos pessoais, finalidades, esperanças, perspectivas, que lhe deem o impulso para grandes esforços e elevadas atividades; mas, quando o elemento impessoal que o rodeia, quando o próprio tempo, não obstante toda agitação exterior, carece no fundo de esperanças e perspectivas, quando se lhe revela como desesperador, desorientado e falto de saída, e responde com um silêncio vazio à pergunta que se faz consciente ou inconscientemente, mas em todo caso se faz, a pergunta pelo sentido supremo, ultrapessoal e absoluto, de toda atividade e todo esforço - então se tornará inevitável, justamente entre as naturezas mais retas, o efeito paralisador desse estado de coisas, e esse efeito será capaz de ir além do domínio da alma e da moral, e de afetar a própria parte física e orgânica do indivíduo. Para um homem se dispor a empreender uma obra que ultrapasse a medida das absolutas necessidades, sem que a época saiba uma resposta satisfatória à pergunta "Para quê?", é indispensável ou um isolamento moral e uma independência, como raras vezes se encontram e têm um quê heroico, ou então uma vitalidade muito robusta."

Thomas Mann
(Em "A Montanha Mágica", traduzido por Herbert Caro, Círculo do Livro 1952, pg. 42)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O valor do arrependimento

"É um sinal de uma infância bem-comportada quando a criança está disposta a pedir permissão sem perder-se em profundos questionamentos sobre se a ação está correta ou errada; e do mesmo modo é sinal de um homem magnânimo com uma alma profunda quando ele está disposto a arrepender-se sem maiores disputas. Sem o arrependimento a vida não é nada, não passa de fumaça na água. Sim, garanto-lhe que se minha própria vida, por alguma falta que não é minha, fosse tão carregada de tristezas e sofrimentos que eu pudesse nomear a mim mesmo como o maior dos heróis trágicos, bradar a minha dor, e apelar ao mundo chamando atenção a ela, minha escolha estaria assim feita; eu dispo-me desta vestimenta de herói e da paixão trágica, não sou o aflito que pode se orgulhar dos seus sofrimentos, sou o humilde que é consciente de seu pecado! Eu tenho somente uma expressão para aquilo que sofro - culpa; uma expressão para minha dor - arrependimento; uma esperança diante aos meus olhos - perdão; e se acho isto difícil, ah! Tenho apenas uma prece, jogarei-me ao chão e implorarei ao poder eterno que governa o mundo por uma graça, cedo ou tarde: que ele me permita arrepender-me. Pois conheço somente uma tristeza que pode levar-me ao desespero e carregar tudo mais comigo - a tristeza diante a possibilidade de que meu arrependimento seja uma ilusão, uma ilusão não em relação ao perdão que ele busca, mas em relação à responsabilidade que ele pressupõe."

Soren Kierkegaard
(Traduzido livremente de "Either/Or: A Fragment of Life", Alastair Hannay (trad.), Penguin Classics 2004, Kindle Location 9050 - Cap. 2 volume II) 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A vida da razão

"Admitir que a vida da humanidade possa ser dirigida pela razão é negar toda possibilidade de vida."

 Leon Tolstoi
(Em "Guerra e Paz" - volume II, tradução Oscar Mendes, Itatiaia 1997, pg 533)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sonho de Morte

"Sonhou que estava deitado naquele mesmo quarto, em que repousava naquele momento, mas que, em lugar de estar ferido, achava-se de boa saúde. Muitas pessoas indiferentes e insignificantes desfilavam diante dele. Falava-lhes, discutia com elas a respeito dum assunto sem importância. Dispunham-se elas a partir para alguma parte. O Príncipe André percebia confusamente que tudo aquilo era vão, que tinha em mente preocupações bem mais graves e entretanto continuava a espantá-las falando com espírito de coisas fúteis. Pouco a pouco, imperceptivelmente, todos aqueles personagens começaram a desaparecer e só restou uma questão: a da porta a fechar. Levanta-se, aproxima-se da porta, é disso que TUDO depende. Vai, apressa-se, e seus pés não o transportam, sabe que não terá tempo. E entretanto, tende todas as suas forças, dolorosamente. E uma angústia o constringe. E essa angústia é a da morte: AQUILO está do outro lado da porta. E enquanto que, canhestro e impotente, se esforça por fechá-la, algo de espantoso, do outro lado, faz força e a arromba. Alguma coisa que nada tem de humano - a morte - arromba a porta e vai entrar. Retém ele a porta com todas as suas forças - pois que ela já não pode ser fechada, vai ele pelo menos impedir que a morte entre; mas é demasiado desastrado e demasiado fraco e, sob a pressão exterior tremenda, a porta se abre e depois torna a fechar-se. Um derradeiro empurrão faz-se sentir de fora. Um derradeiro esforço sobre-humano, inútil, e os dois batentes cedem ao mesmo tempo sem ruído. Entrou."

Leon Tolstoi
(Em "Guerra e Paz" - volume II, tradução Oscar Mendes, Itatiaia 1997, pg 381)

domingo, 22 de julho de 2012

A água da felicidade

"Eis o que é, meu caro. O destino escolheu sua cabeça. E estamos nós sempre aí a julgar: isto, isto não está bem, isto é mau. Nossa felicidade, meu caro, é como a água na massa: a gente a arrasta, ela se enche; a gente a tira, ela se esvazia. É assim!"

Leon Tolstoi
(Em "Guerra e Paz" - volume II, tradução Oscar Mendes, Itatiaia 1997, pg 368)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Quando o homem não presta para nada

"O homem não presta para nada enquanto teme a morte. Tudo pertence àquele que não tem medo dela. Sem o sofrimento, o homem não conheceria os seus limites. Não se conheceria a si mesmo."

Leon Tolstoi
(Em "Guerra e Paz" - volume II, tradução Oscar Mendes, Itatiaia 1997, pg 241)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O que realmente importa

"O que eu realmente preciso é de ser claro sobre o que devo fazer, não sobre o que devo conhecer - exceto na medida em que o conhecimento precede toda ação. Trata-se aqui de entender o meu destino, de compreender o que a divindade realmente quer de mim; trata-se de encontrar uma verdade que seja verdade para mim, encontrar uma ideia pela qual estou disposto a viver e a morrer. E a que serviria se eu descobrisse alguma - assim dita - verdade objetiva? Ou se eu percorresse os sistemas dos filósofos e fosse capaz de apontar inconsistências em cada particular vírgula? E qual seria o uso de desenvolver uma teoria do estado, e colocar todas partes de tantos distintos lugares em um único todo, construir um mundo que, novamente, eu mesmo não o habitasse, mas meramente o erguesse para que os outros pudessem vê-lo? A que serviria ser capaz de propor o significado da cristandade, explicar muitos fatos separados, se isto não tivesse um significado mais profundo para mim e para a minha vida? Certamente não negarei que ainda aceito o imperativo do conhecimento, e que se pode também ser influenciado por ele, mas ele deve ser tomado e tornado vivo em mim, e isto é o que eu agora vejo como o ponto principal. (...) Porém para encontrar esta ideia, ou, mais propriamente, para encontrar a mim mesmo, de nada serviria jogar-me ainda mais no mundo. É isto que não percebi nestes anos, ao levar uma vida completamente humana, não apenas uma vida de conhecimento, evitando basear meu desenvolvimento somente em - sim, em algo que as pessoas chamam de objetivo - algo que no fim não é meu propriamente, mas tentando baseá-lo também em algo que estaria emaranhado com as mais profundas raízes da minha existência, algo através do qual seria como se permeado do divino e ao qual me agarraria mesmo se o mundo inteiro fosse acabar. (...) Isto, veja, é isto o que eu preciso e pelo qual anseio, é uma ação interna do homem, este lado divino do homem, que realmente importa, e não simplesmente um montante de informação. Pois em vão busquei uma âncora externa, não só nas profundezas do conhecimento, mas também no mar sem fim do prazer. O que encontrei? Não o meu "eu", pois isso era o que queria encontrar. (...) Antes de qualquer coisa deve-se aprender a conhecer a si mesmo. E com relação à rotina ordinária dos homens, não ganhei nem perdi nada. Meus amigos exerceram, com poucas exceções, nenhuma influência marcante em mim. E então vejo-me mais uma vez no ponto de partida, onde devo começar tudo novamente. Agora resta-me voltar calmamente para mim mesmo e começar a agir internamente; pois somente deste modo serei capaz de chamar-me "eu" em um sentido profundo. (...) Então que os dados sejam lançados - estou atravessando o Rubicão! Esta estrada sem dúvida levar-me-á à batalha, mas não desistirei jamais!"

O jovem Soren Kierkegaard, escrevendo em seu diário, aos 22 anos.
(Traduzido livremente de passagem de "Papers and Journals", 1 Agosto de 1835, como citado por John Caputo em "How to read Kierkegaard", WWNorton, 2008, pgs 9-10)


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ex-covardes: uni-vos!

"Nelson Rodrigues definiu-se um dia como um ex-covarde. Dizia o sábio Nelson que houve tempos em que também ele seguia a cartilha do medo: o medo que começa nos lares, passa para a Igreja, contamina as universidades e desagua na cultura popular. O medo que os pais sentem dos filhos. O medo dos professores perante os alunos. O medo dos artistas em geral, que preferem obras nulas ou sentimentais - e não a "contemplação carinhosa da angústia", para usar uma expressão da escritora Agustina Bessa-Luís. É esse medo de enfrentar a verdade, por mais difícil e insuportável que seja, que faz com que os homens deixem de ser "indivíduos", no sentido mais nobre da palavra. Para o covarde moderno, melhor diluir a individualidade na estupidez confortável das massas."

João Pereira Coutinho
(Em sua coluna desta segunda-feira no Estadão)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Esperança de ação

"Ou o mundo não merece que nos acomodemos a ele. Ou o mundo merece que não nos acomodemos a ele. A esperança não é o fruto da ação. A esperança é a causa da ação."

Roberto Mangabeira Unger
(Em entrevista ao Roda Viva nesta segunda-feira 16 de julho).