domingo, 16 de setembro de 2012

Conflitos internos

"O esforço excessivo da imaginação sempre impede o fluxo regular das paixões e sentimentos. Um poeta trágico que representasse seus heróis como muito engenhosos e espirituosos em meio a seus infortúnios jamais conseguiria tocar as paixões. Assim como as emoções da alma impedem qualquer raciocínio e reflexão sutil, essas últimas ações da mente são igualmente prejudiciais à primeira."

David Hume
(Em "Tratado da Natureza Humana", Editora UNESP, 2000, pg 219).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Eleições

"Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão"

Eça de Queiroz
(Como citado por Roberto daMatta em sua coluna de hoje no Estadão)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

English-man

"De posse de um nosso 'porquê' para a vida, seguiríamos adiante com qualquer que fosse o 'como'. O homem não ambiciona o próprio prazer, são só os ingleses que o fazem."

Friedrich Nietzsche
(Traduzido livremente de "The Twilight of Idols" - "Maxims and Arrows", Aforismo 12; em: "The Portable Nietzsche", Walter Kaufman (ed.), Penguin, 1977)


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Musculação moral

"Em tempos de tensão e vulnerabilidade, escolha a guerra: ela endurece, produz músculos." 

Friedrich Nietzsche
(Traduzido livremente de "The Will to Power", Walter Kaufman (trad.), Vintage, 1968 - Livro IV, Entrada 1040, pg 535)

domingo, 2 de setembro de 2012

A imprensa das massas

"Na nossa época, quando a gente recebia uma cartinha de leitor, a gente dizia, "esse cara é um louco", o cara que escreve cartinha para um jornal é um doido. Foi doido até a internet. Depois da internet ele ganhou um peso, ele virou alguém ... que tem voz, e infelizmente a imprensa segue o que esse idiota está falando. Eu sinto terror por essa transformação. No nosso tempo a gente dava para o secretário de redação escolher a [carta] que tinha um pouco mais de gramática. Mas era o desprezo mais absoluto. Porque o jornalista é que tinha que ver qual era a matéria mais importante, e não se basear na internet para ver o que podia vender mais jornais.... A imprensa se sujeitou bastante a isso ... agora mesmo o Mario Sérgio falou que o nosso programa está em quinto lugar no twitter. Como se isso significasse algo positivo. Não significa nada."

Diogo Mainardi
(Em entrevista ao Roda Viva, 20/08/2012)

sábado, 1 de setembro de 2012

Os mares abertos da verdade

"E alguém que contradiz a si mesmo mil vezes e segue por diversos caminhos, veste inúmeras máscaras e encontra-se sempre sem saída, sem horizonte: é possível que tal pessoa aprenda menos sobre a verdade do que aquele virtuoso Estóico, estabelecido de uma vez por todas em seu próprio lugar? Tais preconceitos encontram-se nos limiares de todas as filosofias correntes: e especialmente o preconceito de que a certeza é melhor que a incerteza e seus mares abertos."

Friedrich Nietzsche
(Traduzido livremente de como citado por Karl Löwith em "Nietzsche's Philosophy of the Eternal Recurrence of the Same", University of California Press, 1997, pg 15)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O Progresso!... progresso?

"Deve-se ir além, deve-se ir além." Este impulso de ir além é algo muito antigo. Heráclito, o obscuro, que depositou seus pensamentos em seus escritos e seus escritos no Templo de Diana, Heráclito, o obscuro, disse "Não se pode passar duas vezes no mesmo rio". Heráclito, o obscuro, tinha um discípulo que não parou aí, ele foi além: "Não se pode passar nem mesmo uma vez!". Pobre Heráclito, pobre Heráclito por ter tal discípulo! Ao ir além, a tese de Heráclito foi tão melhorada a ponto de se tornar uma tese Eleática que nega o movimento, e porém este discípulo desejava somente ser um discípulo de Heráclito... e ir além - não para trás, voltando a uma posição que Heráclito mesmo havia abandonado.

Soren Kierkegaard
(Traduzido livremente de "Fear and Trembling", In: "Fear and Trembling and The Book on Adler", Alfred Knopf - Everyman's Library, 1994, pg 110)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os privilégios espirituais

"Todos privilégios do espírito só são pagos com profundo sofrimento"

Soren Kierkegaard
(Traduzido livremente de "Fear and Trembling", In: "Fear and Trembling and The Book on Adler", Alfred Knopf - Everyman's Library, 1994, pg 72)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o que é grátis custa caro

"Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso."


Roberto Faith
(Em entrevista ao Estadão nesta última sexta-feira)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Justiça social brazuca

" - (...) Agora eu tenho certeza de que, quando passar esse negócio do mensalão, eles vão adotar cota para tudo. Eu tive um professor, naquele tempo em que tinha professor, que dizia: "senhores, a sábia mão do homem ainda vai destruir o universo!" É verdade, é verdade!
- Mas não vai ser agora, podemos pedir uns pasteizinhos. 
- Aí é que você se engana, já está começando agora e vai se estender a tudo. Ao futebol mesmo, por exemplo. Futebol rende muitos problemas por falta de proporcionalidade em vários aspectos e falta de oportunidades para todos. Primeiro eles vão regulamentar as escalações: tem que ter cota racial. Cada jogador declara sua raça e aí a escalação mantém o equilíbrio racial através das cotas. Poderemos ver o Wagner Love declarando que se chama Wagner porque é de família alemã de pai e mãe e o Loco Abreu alegando que é zulu. Mas aí isso não resolve a desproporção entre as torcidas, de maneira que eles vão implantar as cotas de torcida. Cada torcedor será cadastrado numa torcida, devendo apresentar seu cartão de torcedor juntamente com o ingresso. Quando uma torcida ultrapassar o número de torcedores previsto pela cota, o torcedor tem de escolher outro time, em benefício de paz social e, em última análise, em seu próprio benefício. É um assunto complexo, mas nós temos parlamentares à altura das necessidades. Uma coisa é certa: não será permitida uma desproporção gritante, como existe hoje, por exemplo, entre a torcida do Flamengo e a do Olaria, a lei garantirá a todos os times o direito de ter torcedores. E digo mais. Não tem crime de falsidade ideológica? Pois vai ter crime de falsidade clubista. O camarada que for pegado torcendo por um time, mas portando a carteira de outro, perde o registro e não pode mais frequentar estádios, precisamos de leis severas. 
 - Você está delirando outra vez, eu nunca sei quando você está falando sério. 
 - Eu não estou delirando nada. Nem falei sobre as outras cotas dos times de futebol. Uma das primeiras a entrar na pauta vai ser a cota dos originários de comunidades carentes, logo seguida das dos jovens infratores em recuperação, dos homossexuais, da terceira idade, dos nativos do Estado onde fica a sede do time e por aí vamos, inclusive na Seleção. 
 - Você não acabou o segundo chope e já está de porre. Não está vendo que esse tipo de coisa nunca vai dar certo? 
 - Eu estou. Mas eles não, é por isso que eu me apavoro. Vai ter cota de mulher, pode escrever. Pra cada cinco gatas com quem você sair, vai ter que encarar uma dragonete, é a justiça social."

João Ubaldo Ribeiro
(Em sua coluna no Estadão de 19/08/2012)

domingo, 26 de agosto de 2012

Chafurdar na blogosfera pra quê?

"Com 40.000 novos livros publicados a cada ano pelas melhores casas do ramo - um número que a maioria das editoras admitiria ser demasiado - nós realmente precisamos chafurdar em esforços embaraçosos de centenas de milhares de novelistas, historiadores e memorialistas não publicados ou auto-publicados? De acordo com John Sutherland, chefe do comitê Man Booker Prize de 2005, "levaria aproximadamente 163 vidas para se ler toda a ficção disponível, ao click do mouse, na Amazon.com". E estes são apenas os romances selecionados profissionalmente, editados e publicados. Ora, realmente precisamos surfar nessa enorme onda de trabalhos de autores amadores que nunca foram selecionados para nenhuma publicação?"

Andrew Keen
(Traduzido livremente de "The cult of the amateur - How today's internet is killing our culture", Doubleday, 2007, pg 56)

sábado, 25 de agosto de 2012

Um pequeno fato

"O amor das letras em Alípio era o único bem que estava a ponto de o tentar. Poderia com os lucros de pretor mandar transcrever códices. Porém, sempre que consultava a justiça, deliberava pelo melhor, persuadido de que a integridade de que lhe proibia esta ação era muito melhor que o poder que a permitia a ele. Pequeno fato este, mas, 'quem é fiel no pouco, também o é no muito'; e de modo nenhum são vãs aquelas palavras que saíram da boca da vossa verdade: 'se, pois, não fordes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? E se não fordes fiéis nas alheias, quem vos dará o que é vosso?' "

Agostinho de Hipona
(Em "Confissões", J. Oliveira Santos (tradutor), Vozes - edição de bolso - 2011, pg 131)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Brave New World

"O que é fantástico sobre a Internet é que qualquer um, até mesmo uma menininha solitária de 16 anos, pode publicar seus pensamentos e atrair uma multidão. O que é assustador sobre a Internet é que ela pode não estar sozinha, nem ter 16 anos..."

Howard Kurtz
(Traduzido livremente de "Loneliness, Lies, and Videotape," Washington Post, September 18, 2006.)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Um conselho aos internautas

"Eu quero dizer: Você tem que ser alguém antes de publicar a sua vida."

Jaron Lanier
(Traduzido livremente do prefácio de "You are not a gadget", Alfred Knopf, 2010)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A nova armadilha

"Ao viver mais e mais em público nas redes sociais, estamos enfraquecendo nosso lado humano, banalizando nosso eu interior, transformando nossos sentimentos e emoções em mercadorias. Quanto mais nos expomos publicamente, mais narcisistas nos tornamos. Como Foucault argumentou, a visibilidade é uma armadilha. E em nossa era de hipervisibilidade, ela é uma hiperarmadilha."

Andrew Keen
(Em entrevista ao "Link" no último domingo)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Rios de otários

"Na internet só tem otário."

Diogo Mainardi
(Em entrevista ao programa Roda Viva desta segunda-feira)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Incontinência contemporânea

"Uma vez enviado pelos dedos e pelo teclado ao computador e à blogosfera, o conteúdo que de fato deveria ter continuado na mente da pessoa como uma possibilidade inexplorada, e portanto vaga, torna-se algo objetivo, público e irreversivelmente feio e doloroso. Nova e preocupante é, acima de tudo, a presença objetiva e a irreversibilidade de algo que teria permanecido um evento individual, transitório e, mesmo assim muito desagradável, no mundo anterior à eletrônica. Já a presença objetiva e a irreversibilidade do Twitter produzirão um efeito surpreendente de incontinência. Imaginar que, num futuro indefinido, os usuários do Twitter poderão (e até certo ponto serão encorajados a) reagir a ofensas e provocações que nunca deveriam ter sido pronunciadas é puro pesadelo."


Hans Ulrich Gumbrecht
(Em artigo intitulado de "Boquirrotismo Irreversível", traduzido por Ana Capovilla no Estadão)

domingo, 19 de agosto de 2012

O Efeito Paralisador

"O homem não vive somente a sua vida individual; consciente ou inconscientemente participa também da vida da sua época e dos seus contemporâneos. Até mesmo uma pessoa inclinada a julgar absolutas e naturais as bases gerais e ultrapessoais da sua existência, até uma pessoa assim pode facilmente sentir o seu bem-estar moral um tanto diminuído pelos defeitos inerentes a essas bases. O indivíduo pode visar a numerosos objetivos pessoais, finalidades, esperanças, perspectivas, que lhe deem o impulso para grandes esforços e elevadas atividades; mas, quando o elemento impessoal que o rodeia, quando o próprio tempo, não obstante toda agitação exterior, carece no fundo de esperanças e perspectivas, quando se lhe revela como desesperador, desorientado e falto de saída, e responde com um silêncio vazio à pergunta que se faz consciente ou inconscientemente, mas em todo caso se faz, a pergunta pelo sentido supremo, ultrapessoal e absoluto, de toda atividade e todo esforço - então se tornará inevitável, justamente entre as naturezas mais retas, o efeito paralisador desse estado de coisas, e esse efeito será capaz de ir além do domínio da alma e da moral, e de afetar a própria parte física e orgânica do indivíduo. Para um homem se dispor a empreender uma obra que ultrapasse a medida das absolutas necessidades, sem que a época saiba uma resposta satisfatória à pergunta "Para quê?", é indispensável ou um isolamento moral e uma independência, como raras vezes se encontram e têm um quê heroico, ou então uma vitalidade muito robusta."

Thomas Mann
(Em "A Montanha Mágica", traduzido por Herbert Caro, Círculo do Livro 1952, pg. 42)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O valor do arrependimento

"É um sinal de uma infância bem-comportada quando a criança está disposta a pedir permissão sem perder-se em profundos questionamentos sobre se a ação está correta ou errada; e do mesmo modo é sinal de um homem magnânimo com uma alma profunda quando ele está disposto a arrepender-se sem maiores disputas. Sem o arrependimento a vida não é nada, não passa de fumaça na água. Sim, garanto-lhe que se minha própria vida, por alguma falta que não é minha, fosse tão carregada de tristezas e sofrimentos que eu pudesse nomear a mim mesmo como o maior dos heróis trágicos, bradar a minha dor, e apelar ao mundo chamando atenção a ela, minha escolha estaria assim feita; eu dispo-me desta vestimenta de herói e da paixão trágica, não sou o aflito que pode se orgulhar dos seus sofrimentos, sou o humilde que é consciente de seu pecado! Eu tenho somente uma expressão para aquilo que sofro - culpa; uma expressão para minha dor - arrependimento; uma esperança diante aos meus olhos - perdão; e se acho isto difícil, ah! Tenho apenas uma prece, jogarei-me ao chão e implorarei ao poder eterno que governa o mundo por uma graça, cedo ou tarde: que ele me permita arrepender-me. Pois conheço somente uma tristeza que pode levar-me ao desespero e carregar tudo mais comigo - a tristeza diante a possibilidade de que meu arrependimento seja uma ilusão, uma ilusão não em relação ao perdão que ele busca, mas em relação à responsabilidade que ele pressupõe."

Soren Kierkegaard
(Traduzido livremente de "Either/Or: A Fragment of Life", Alastair Hannay (trad.), Penguin Classics 2004, Kindle Location 9050 - Cap. 2 volume II) 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A vida da razão

"Admitir que a vida da humanidade possa ser dirigida pela razão é negar toda possibilidade de vida."

 Leon Tolstoi
(Em "Guerra e Paz" - volume II, tradução Oscar Mendes, Itatiaia 1997, pg 533)